A Origem da Festa Junina
A Origem da Festa Junina
Você sabe a origem da festa junina? Do ritual profano ao baião. Do milho, mandioca e pinhão. São lendas e misturas que hoje, fazem dela, uma das maiores representatividades da cultura brasileira!
O alimento representa o povo que o consome numa imagem imediata e perceptiva. Dá a impressão confusa e viva do temperamento e maneira de viver, de conquistar os víveres, de transformar o ato de nutrição numa cerimônia indispensável de convívio humano
História da Alimentação no Brasil, Luiz da Câmara Cascudo
De ritual pagão e
profano à festa católica
Os povos antigos da Europa demonstravam seu amor pela colheita, através de rituais de celebração, entre o final do inverno e o início do verão, que corresponde ao mês de junho. Esses rituais eram verdadeiras lutas entre as forças do bem contra as do mal. Acreditava-se que feiticeiros e bruxas espalhavam pragas para ameaçar a colheita dos cereais, e que por isso andarilhos do bem, identificados como benandanti, se armavam de galhos de erva-doce e alho para enfrentar a batalha, representada pela passagem das duas estações. Se vencesse o mal, o ano seria de muita fome, doença e miséria. Por outro lado, se o bem fosse vencedor, teriam um ano de muita fartura.
Os rituais agrários, de tradições pagãs, não eram celebrados apenas pelos europeus. Os povos da Ásia e da África também festejavam as divindades protetoras da fertilidade e da colheita, pela aproximação do verão que no Hemisfério Norte corresponde ao solstício de verão, entre os dias 20 e 21 de junho, quando ocorre o dia mais longo e a noite mais curta do ano. A forte relação do homem com a terra e os ritos de fertilidade do plantio estavam associados também à fertilidade humana, de tal modo que plantar e colher tinham um sentido profano. Entre os séculos V e XI, com a cristianização desses cultos agrários pagãos e profanos, a igreja católica fixou a data da festa de São João, no dia 24 de junho do calendário litúrgico, considerando a mudança de estação, em torno do solstício, enquanto os ritos originais, foram proibidos e seus praticantes sujeitos à julgamento e à inquisição até o século XVII.
Desde o início da colonização, o português trouxe para os engenhos de Pernambuco suas festas tradicionais, entre elas a festa dos santos juninos, Santo Antônio e São João. Era a festa Joanina, marcadamente religiosa com missas, procissões, quermesses, danças e comidas típicas.
Os doces na culinária junina
A culinária da festa junina brasileira sofreu algumas adaptações do modelo português devido à dois fatores: à falta de aclimatação de alguns ingredientes portugueses e à inversão das estações, pois, enquanto junho é inverno no Brasil, em Portugal é verão.
Se observarmos, o cardápio das festas juninas é composto por memórias, saberes e fazeres, alguns relegados que se perderam no tempo, signos que nos conectam com nossas origens e com a nossa terra, e que são relembrados pelo São João, numa espécie de homenagem ao passado rural. Desse modo, ao contrário dos portugueses que realizavam a festa da colheita do trigo, para nós, junho é tempo do milho. A doçaria da festa junina é pautada em ingredientes coloniais, autóctones tendo um ou outro aclimatado. Além do milho, utiliza-se mandioca, pinhão e/ou amendoim (assado ou cozido), batata doce, coco, rapadura e especiarias.