YES, NÓS TEMOS BANANAS!
Tipos de banana no Brasil:
quais são e como usar na cozinha
Conheça os principais tipos de banana e saiba como aproveitar o melhor de cada variedade na cozinha.
A célebre frase da marchinha carnavalesca de João de Barro e Alberto Ribeiro, que dá título a este artigo, foi a resposta nacionalista a um fox-trot americano que menosprezava a fruta-símbolo do Brasil — a qual, após uma ameaça histórica de extinção, voltou à moda e foi incorporada com destaque ao cardápio de muitos restaurantes.
Com origem na Ásia meridional, as bananas são apreciadas desde a Antiguidade e aparecem até em baixos-relevos assírios e egípcios. Alexandre Magno conheceu-as na Índia, no ano de 327 a.C. Séculos depois, no ano de 650 d.C., os árabes as difundiram pelo Mediterrâneo e, em seguida, pela África. A espécie chegou às Ilhas Canárias no século XV; de lá, foi trazida para a América em 1516 e introduzida no Brasil no século XVI pelos colonizadores portugueses. Em História da Alimentação no Brasil, Luís da Câmara Cascudo registra o espanto do geógrafo Karl von den Steinen, no século XIX, ao constatar que as tribos do Xingu não conheciam a fruta.
O cultivo de bananas é o quarto mais importante do mundo — e o principal nas regiões quentes e úmidas do Sudeste Asiático —, fazendo parte da dieta diária dos habitantes de mais de 100 países tropicais e subtropicais. Sinto dizer, mas, assim como o futebol e o carnaval, a fruta nunca foi exclusividade brasileira. Apesar de temos a Ilha do Bananal (a maior ilha fluvial do mundo) e a cidade de Bananal, no Vale do Paraíba (São Paulo); de dedicamos mais de meio milhão de hectares ao seu cultivo e ser o povo que mais se alimenta da fruta (cerca de quatro cachos anuais por habitante!). Hoje, disputamos tête-à-tête com a Índia o topo do pódio na produção mundial.
É possível encontrar a fruta o ano todo. De polpa macia, doce na medida e rica em nutrientes (potássio, magnésio, ácido fólico, vitamina B6, fibras alimentares, ácido fítico, frutose e taninos), pode ser consumida crua, assada, frita ou cozida, acompanhando os mais diversos pratos nacionais — sem falar no uso das folhas da bananeira, que viabilizam uma rica técnica de cozimento e apresentação.
A banana não apenas enche a barriga: é também um verdadeiro símbolo de criatividade para a cultura brasileira. Indo das marchinhas de carnaval de Braguinha às artes plásticas — como nas telas Bananas e Metal, de Pedro Alexandrino; Tropical, de Anita Malfatti; e Antropofagia, de Tarsila do Amaral —, a fruta chegou até ao cinema internacional com a icônica Carmen Miranda e seu turbante de bananas, que ajudou a difundir fruta e alma brasileira pelo mundo.
No folclore, uma crença antiga que circula desde a Idade Média sugere que a banana — e não a maçã — foi a fruta proibida que Deus vedou a Adão. E, segundo o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, os nordestinos evitam cortar a banana transversalmente (como na receita do Bolo de banana caramelizada) para não formar em seu interior a figura de uma cruz.
O NOME BANANA
Dizem que o nome surgiu a partir da língua ameríndia falada no norte do Amapá. Outros apontam origem na Guiné ou, ainda, na palavra árabe, bañana (que significa “dedo”).
Existem mais de 100 tipos de bananas cultivadas em todo o mundo. No Brasil, as mais conhecidas são a banana-prata (ou catarina) e a banana-nanica (também conhecida como caturra ou banana-d’água). Para além da cozinha, a banana virou símbolo antirracista (como no histórico episódio do jogador brasileiro Daniel Alves, no jogo Barcelona x Villarreal, em 2014), sinal de xingamento (“dar uma banana”, cruzando os braços e erguendo um dos punhos) e inspiração para verbetes nacionais como “plantar bananeira”, ser um “banana”, “bananeira que já deu cacho” (para designar alguém em decadência) ou a expressão “é como banana, dá em todo canto” – para as mulheres fáceis de conquistar.
Além disso, tornou-se o termo pejorativo “República das Bananas” para designar países — normalmente latino-americanos — politicamente instáveis, submissos a potências ricas e com governos opressores e corrompidos. O termo foi cunhado pelo escritor americano O. Henry para se referir originalmente a Honduras, e mais tarde foi popularizado por Woody Allen no filme Bananas, de 1971.
- Banana-prata (ou catarina): Tem fruto reto, polpa consistente e casca de cinco facetas bem amarelada. É mais firme e sequinha, menos doce que a nanica e perfeita para assar ou fritar. Boa para caramelizar e produzir banana-passa. Possui uma acidez leve que vai muito bem em pratos salgados. De todas, é a que dura mais tempo na fruteira!
- Banana-nanica (banana-caturra, anã, cavendish ou banana- d´agua): De “nanica”, não tem nada — recebe esse nome apenas pelo pequeno porte da bananeira que a produz. Tem casca fina, de tom amarelo-esverdeado, mesmo quando madura. É uma das mais úmidas e de sabor mais adocicado, perfeita para bolos e doces em geral. Quando a casca estiver totalmente amarelada, está madura e firme, o ponto ideal para ser consumida!
- Banana-maçã: De formato arredondado, exala um perfume que lembra o da maçã. Sua casca é fina, de cor amarelo-clara, com polpa branca e bem macia. De fácil digestão, é recomendada para bebês e idosos.
- Banana-da-terra (banana-chifre-de-boi ou banana-comprida): É uma das maiores variedades conhecidas, podendo chegar a pesar 500g por unidade e até 30 cm de comprimento! É levemente achatada em um dos lados e, quando madura, apresenta casca amarelo-escura com grandes manchas pretas (essa da foto, bem verde, tem a casca amarela, com manchas esverdeadas). De polpa bem consistente e tom levemente rosado, possui textura macia e compacta. Sendo muito mais rica em amido do que em açúcar, deve ser frita, assada ou cozida de diversas maneiras; crua, é altamente indigesta (especialmente se estiver verde). É perfeita para preparos salgados e, quando bem madura, brilha em sobremesas.
- Banana-figo (banana-marmelo, banana-sapa, banana-jasmim, banana-couruda ou tanja): Apresenta arestas marcadas que parecem “costuradas” à mão. Mesmo madura, não é excessivamente doce, nem muito macia ou perfumada. Excelente para fritar ou empanar.
- Banana-ouro (inajá, banana-dedo-de-moça, banana-mosquito ou banana-imperador): É a menor de todas, medindo no máximo 10cm. Tem formato cilíndrico, casca fina e bem amarelada. Sua polpa é compridinha e a mais doce de todas! É uma boa opção para doces, principalmente quando utilizadas inteiras. Em sucos e vitaminas, dispensa a adição de açúcar refinado! Como é pouco consumida é vendida “a preço de banana”. Aproveite!
- Banana-vermelha (rosa, pink, Musa Valentina): Originária do Caribe, a banana-rosa possui casca castanho-avermelhado. Quando madura, a casca se abre revelando uma polpa de cor creme a rosa-claro. É uma banana mais doce e possui textura mais suave que a das variedades amarelas.
- Banana-pacovan (pacovã ou pacoba): Resultante de uma mutação da banana-prata, é atualmente a variedade mais cultivada no Norte e no Nordeste do país. Os frutos são grandes, com quinas salientes mesmo quando maduros, e possuem casca grossa. Pesam em média 122 g e apresentam sabor menos intenso que a prata.
- Banana-são-tomé: Existem dois tipos, que se diferenciam apenas pela cor da casca — roxa ou amarela. Apresentam polpa amarela e aroma marcante são pouco consumidas. Ficam boas quando cozidas em purês, assadas ou grelhadas na churrasqueira!
REFERÊNCIAS
- CASCUDO, Câmara. História da Alimentação no Brasil. Companhia Editora Nacional, 2011.
- CASCUDO, Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 12 ed. São Paulo: Global Editora, 2012.
- CEPLAC. Banana. Disponível em: < http://www.ceplac.gov.br/radar/banana.htm>. Acesso em 26 de junho de 2015.
- LOPES, J.A. Dias. O país das bananas. Companhia Editora Nacional, 2014.
- Tipos e variedade de Plátano. Disponível em: <http://www.frutas-hortalizas.com/Frutas/Tipos-variedades-Platano.html>. Acesso em 26 de junho 2015.
- VALLE, Heloísa; CAMARGOS, Marcia. Yes, nós temos bananas – Histórias e Receitas com Biomassa de Banana Verde. Senac, São Paulo, 2004.
Mais uma mordida?
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