A Nestlé, em parceria com as empresas re.green e Barry Callebaut, anunciou neste mês dois projetos de restauração ambiental nos estados da Bahia e do Pará, em regiões de produção de cacau e café. Segundo a Nestlé, cerca de 8 mil hectares serão restaurados e as iniciativas contemplam o plantio de 11 milhões de árvores – com proteção e manutenção durante 25 e 30 anos.

As iniciativas acontecem em locais onde a Nestlé se abastece de matérias-primas, como cacau e café. “Nossa estratégia de sustentabilidade vai muito além da remoção de carbono. Queremos regenerar áreas onde nos abastecemos de ingredientes, porque a restauração ambiental aumenta a resiliência das cadeias de suprimentos”, afirma Barbara Sapunar, diretora executiva de Business Transformation e ESG da Nestlé Brasil.

Esse plantio em espaços convertidos em sistemas agroflorestais com cacau, numa época na qual a produção do fruto passa por uma crise mundial, aponta uma questão: iniciativas assim podem sinalizar um movimento de mercado para trazer um “respiro” futuro à escassez do produto (saiba mais sobre a crise do cacau)

Para Juliana Aquino, produtora de cacau e dona da marca de chocolate “tree to bar” Baianí, iniciativas como esta são sempre bem-vindas e têm seu impacto no mercado, mas precisamos estar atentos às informações. “Quando pensamos no tamanho dessas empresas, o investimento nesse projeto se torna quase irrisório”, diz ela, que faz uma comparação com iniciativa recente do empresário brasileiro Moisés Schimidt, que quer transformar o oeste baiano em referência mundial na produção de cacau com uso de irrigação e mecanização, segundo matéria publicada recentemente na revista Forbes. Pelos planos do produtor, em 10 anos serão 10 mil hectares dedicados apenas ao cacau.

“Iniciativas tímidas também têm valor e normalmente são o pontapé para a ampliação delas mesmas e de outras dentro da gestão ambiental e social de cada corporação”, completa ela, esperançosa de que mais movimentos semelhantes aconteçam no futuro.


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