A receita vem da cozinha de Mãe Canô, famosa matriarca de Santo Amaro da Purificação e mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, pelo livro O Sal é um dom, escrito por sua filha Mabel Veloso. Uma cozinha familiar baiana preserva muitos doces e pratos tradicionais, e o bolo de noiva aparece como um exemplo de doçaria festiva antiga, marcada pelo uso generoso de manteiga, frutas e doces.

Apesar do nome “bolo de noiva”, hoje ele é muito mais um bolo de memória e tradição, feito em festas familiares ou simplesmente porque alguém quer reviver um sabor antigo.

“Fomos, somos abençoados, nós, filhos de Mãe Canô e Pai Zeca, acolhido nessa mesa, nesse beijo, nesses sabores. Nossa Senhora da Purificação abençoando a alegria no sereno do Recôncavo baiano. Todo dia boa comida! Aprendemos aí, todos os gostos, paladares, prazeres para toda vida.” Maria Bethânia 

finalizacao Ingredientes

Fica
a dica

Se não encontrar goiabada cremosa, você pode usar a goiabada em barra e transformá-la facilmente em creme.

Corte a goiabada em cubos, coloque em uma panela com um pouco de água e leve ao fogo baixo, mexendo até dissolver completamente e ficar cremosa. Se quiser um sabor mais profundo e aromático, você pode substituir a água por vinho tinto, o resultado fica ainda mais interessante.

preparo JÁ PRA COZINHA!

VOCÊ
SABIA?

O bolo de noiva nordestino tem uma história curiosa: ele nasce do encontro entre tradições europeias e ingredientes brasileiros.

A base histórica do bolo vem do fruit cake britânico, aqueles bolos densos, escuros, cheios de frutas secas e álcool, servidos em casamentos na United Kingdom desde o século XVII. Esses bolos tinham duas características importantes: uma massa muito rica em manteiga e açúcar e o uso de frutas escuras maceradas, como passas, ameixas e frutas cristalizadas. Além disso, eram feitos para durar muito tempo, algo importante em festas longas e viagens.

Durante o período colonial e imperial, receitas desse tipo circularam pelo Brasil por diferentes caminhos: pelas mãos de famílias portuguesas e inglesas, pelos conventos e pelas casas de açúcar do Nordeste, além de cadernos de receitas familiares.

No Nordeste, especialmente na Bahia e em Pernambuco, o bolo foi sendo adaptado aos ingredientes locais. Com o tempo, as frutas secas europeias foram substituídas ou complementadas por sabores muito brasileiros. Surgiram então versões com ameixa seca, que dá a cor escura à massa, doce ou pasta de goiabada, vinho ou licor e, às vezes, rapadura ou açúcar mascavo.

O resultado é um bolo úmido, escuro e profundamente aromático, bem diferente do bolo branco de casamento mais comum hoje.

para ler
O SAL É UM DOM

Para fazer receitas de família e se deliciar com a doçura de Dona Canô