Longe de gerar o mesmo frisson ou mesmo ter a mesma audiência de reality shows de cozinha como MasterChef e Top Chef, foi realizada neste sábado (25 de julho), em Nova Orleans, a seletiva americana para a edição 2027 da Copa do Mundo de Confeitaria (Coupe du Monde de la Pâtisserie). As equipes dos Estados Unidos, México e Paraguai foram as grandes vencedoras, ficando, respectivamente, com as medalhas de ouro, prata e bronze.

A equipe brasileira na primeira imagem: Renata Arassiro, Rafael Barros, Fabrice Lenud e Alessandro Lima, (da esquerda para direita). Cred: divulgação


Formada por Fabrice Lenud (presidente/ técnico), Rafael Barros, responsável pelas esculturas de açúcar, Alessandro Lima, especialista em sorvetes, e Renata Arassiro, que ficou encarregada das criações em chocolate, a equipe brasileira não conseguiu se classificar para a grande final, que será realizada em Lyon (França), nos dias 22 e 23 de janeiro de 2027, durante a feira de alimentos Sirha. Como aconteceu na seletiva, a final é realizada juntamente com o Bocuse D’Or, considerado o Oscar da Gastronomia, do qual o Brasil também não participará neste ano.

Criado em 1989 pelo chef francês Gabriel Paillasson, o evento tornou-se a principal competição internacional dedicada à pâtisserie e algumas de suas principais artes (chocolateria, sorveteria e sobremesas empratadas), reunindo alguns dos maiores talentos da pâtisserie contemporânea em provas que combinam técnica, criatividade e precisão no mais alto nível.

Não à toa reúne nomes como Pierre Hermé, Dominique Ansel, Amaury Guichon, Daniel Boulud e Jean Michel Perruchon no júri. Além dos brasileiros Diego Lozano – chef proprietário da confeitaria Levena e da escola de confeitaria que leva seu nome, em São Paulo, que integrou o júri artístico, responsável por avaliar as peças escultóricas e a execução das equipes -, e Carolina Garofani – formada pelo Corso Superiore di Pasticceria na ALMA, na Itália, que esteve à frente da confeitaria Caramelodrama, em Curitiba -, que este ano estreou no júri técnico, ao lado de Ansel, criador do Cronut. “Foi uma surpresa receber esse convite. Estou muito feliz e muito honrada”, disse ela, que foi a única de fora dos Estados Unidos a compor seu grupo. “Eles chegaram até mim a partir do tanto que já escrevi e publiquei sobre técnicas de confeitaria, inclusive em veículos internacionais”, completa. 

As peças escultóricas das equipes do Brasil (direita) e EUA (esquerda) Cred: divulgação

Ao longo da competição de pâtisserie, os candidatos precisam demonstrar domínio sobre praticamente todas as grandes técnicas da pâtisserie contemporânea. Nesta edição, foram desafiados a reinterpretar a tradicional torta de noz-pecã americana em porções individuais, criar sobremesas geladas servidas “à la minute” e desenvolver doces à base de chocolate inspirados na linguagem da street food. As provas incluíram ainda a elaboração de esculturas em açúcar, chocolate e gelo, montadas ao vivo e apresentadas em um buffet cenográfico, num verdadeiro teste de resistência, precisão e criatividade que demandou mais de oito horas de trabalho intenso nas cozinhas-show montadas no Ernest N. Morial Convention Center.

“Algumas equipes de fora chegam a ficar 1,5 ano exclusivamente treinando para estar aqui. Não é só uma questão de talento ou experiência dos profissionais, é dedicação, compromisso e investimento financeiro mesmo, porque vai muito insumo, laboratório, equipamento. E no Brasil, infelizmente, não temos essa cultura. O mercado e possíveis patrocinadores também precisam olhar para esse tipo de competição como uma forma de promover o Brasil, porque sei que temos bons profissionais mas precisa de investimento. Não tem como os confeiteiros, especialmente os mais jovens, bancarem isso sozinhos”, comentou Carolina, frente ao fraco desempenho da equipe brasileira.

Na edição de 2025, cuja final foi realizada em janeiro deste ano, o Japão conquistou o título mundial pela quarta vez, seguido pela França e pela Malásia, em uma disputa considerada uma das mais acirradas da história recente do concurso. Na seletiva americana, Argentina, Paraguai e Colômbia foram os vencedores, sem, entretanto, obter boas colocações na final mundial. O resultado reafirma a hegemonia asiática e europeia na competição e ajuda a dimensionar o desafio enfrentado ano a ano pelas equipes americanas.

A reinterpretação da torta de noz pecan, o chocolate em linguagem de “street food” e a sobremesa gelada dos Estados Unidos

A reinterpretação da torta de noz pecan, o chocolate em linguagem de “street food” e a sobremesa gelada dos Estados Unidos. Cred: divulgacão


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